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Biblioteca de Fátima

 

HARARI, Yuval Noah - Sapiens, de animais a deuses : breve história da humanidade. 15ª ed.. Lisboa : Elsinore, 2018. ISBN 978-989-8864-08-6

 

Harari é professor de História na Universidade Hebraica de Jerusalém, com formação na Universidade de Oxford, onde fez doutoramento. Até aqui nada de mais, embora falemos de duas prestigiadas universidades mundiais. O que nos fascina é mesmo o conteúdo do livro. Embora a sua especialização seja história, o autor tem a coragem de abordar novos caminhos, por veredas ínvias, tentando explorar todo o conceito que subjaz na máscara de Homo Sapiens. Fá-lo, explorando os caminhos da biologia, da antropologia, da história, da arqueologia, da economia, da religião, da química orgânica, da computação e, enfim, de toda uma série de ramos de saber, que nos habituámos a ver como independentes e estanques. Nesta última ( computação, embora a ideia esteja mais difundida em outro título seu: Homo Deus ), reafirma que toda a criatividade ou obra de arte obedece a um algoritmo. O autor não tem nada a perder: arrisca tudo. Quer se goste ou se odeie. Eu, pessoalmente, acho fascinante, não só pela coragem, mas pelos argumentos científicos empregues em favor da sua tese. O autor descasca o homo sapiens como se fora cebola, tentando encontrar no seu cerne algo, alguma coisa de imutável, de eterno, algo a que nos habituámos a chamar alma. Escusado será dizer que Harari não encontrou alma nenhuma, embora esta não seja a questão chave do livro. A questão básica é encontrar o Homem na sua totalidade, despido de todos os conceitos, mormente aqueles advindos da nossa história cultural, dados como certos. O homem tornou-se agricultor por mero acaso ( poderia ter continuado indefinidamente a ser caçador-recoletor). Há, paralelamente, um grito de alerta sobre as condições de vida do homem atual. E também da nossa desumanidade, permitindo infligir aos animais sofrimentos sem conta, para que o Sapiens possa viver. Na parte final, o autor antevê alguns cenários possíveis para a humanidade e daquilo que eventualmente nos espera. Seres biónicos, metade humanos, metade máquinas, a versão 2.0, um ser que pode prolongar a vida por quantidades assinaláveis de tempo. Por alguma razão, esta é já a 15ª edição do livro em Portugal.