Home Assembleia de freguesia Executivo Serviços Comissão Social Sobre Fátima Turismo e Lazer Contactos Notícias Informações Úteis Contactos Úteis

Biblioteca de Fátima

Morgado, João - Índias. Lisboa: Clube do Autor, 2016. ISBN 978-989-724281-6.

Livros como este fazem-nos falta. Fazem-nos falta por todo um conjunto de razões: o repensar das vidas e ambientes dos grandes fazedores da história; do abanar necessário das nossas convicções mais intrínsecas; mas também pela colocação de parâmetros novos dentro do esquema alicerçado da narração, o que vem estimular o cânone literário, sempre aberto, da teoria literária. E mão quero com isto dizer que concorde integralmente com o panfleto, onde vem escamoteado todos os defeitos e virtudes do personagem principal tratado no livro: Vasco da Gama. O autor atribui-lhe um rol assinalável de defeitos, torce, por vezes a realidade histórica, por um interesse unicamente ficcional. É sabido, de quem lê os cronistas da época ( Gaspar Correia, Fernão Lopes de Castanheda, João de Barros, Damião de Góis... ) que Vasco da Gama, se tem alguma coisa de assinalável, é o facto de ser extremamente irascível e capaz das maiores atrocidades. Não inventamos nada de novo, depois de lermos os seus cronistas contemporâneos. Mas, para mim, pelo menos, existe uma coisa onde não mexo de jeito nenhum: sacrificar a verdade histórica, só para que a ficção fique embutida de maior dinamismo. Felizmente, o autor veio cá, à tertúlia literária, que foi promovida, agora, há dias, na Biblioteca. Fiz-lhe notar algumas discrepâncias apresentadas ( off the record ), pois em público seria mau fazê-lo. Uma das coisas que assinalei foi o facto de apresentar Vasco da Gama, na 1ª viagem, a desembarcar nas Ilhas de Santa Helena, junto da população indígena, do Arquipélago Tristão da Cunha, quando estas ilhas, absolutamente desertas, só viessem a ser descobertas alguns anos depois, por João da Nova; outra ideia, forçada, foi por o autor Vasco da Gama, perdido no ópio e nas mulheres de má vida, numa Calecut à beira da guerra. Não parece de todo consentâneo com aquilo que se sabe de Vasco da Gama. Porém, vamos permitir a João Morgado tudo isto. Vamos “permitir” porque o autor escreve bem, domina com propriedade a palavra e nota-se que estudou bastante este período e personagens, para fazer o livro. Já tinha escrito outros romances históricos“ Vera Cruz”, com que ganhou alguns prémios, segundo-se-lhe “Impérios”, onde trata do declínio do império e onde a personagem central é Luís de Camões.